Um e-mail importante chega à sua caixa de entrada no momento exato em que seu comunicador mostra um aviso de que a conferência por telefone com o pessoal de Atlanta já vai começar na sala 2. Ainda bem que seu computador de mão baixa suas mensagens e você pode lê-las dentro do elevador, enquanto sobe para a reunião já munido de informações quentes sobre o mercado e os investidores. É a vida pós-moderna.
Em algum outro lugar, durante todo o tempo, alguém depende da tecnologia de transmissão de dados tanto quanto você. Se as distâncias encurtaram e o tempo agora voa é porque a tecnologia possibilitou ao homem ser virtual com informações transformadas em digitais binários, passíveis de compartilhamento pela rede.
Atentemo-nos a alguns números recentes: a oferta de provedores de internet cresceu 178% no Brasil, em 7 anos, segundo o IBGE em setembro; o acesso a PCs residenciais quase dobrou em 5 anos; e a banda larga deve duplicar em volume no Brasil até 2010. São dados e projeções que nos fazem crer que, sem crescimento sustentável, nada disso será concretizado frente à forte e crescente demanda.
Nosso vocabulário tem incorporado termos como podcast, TV digital, vídeo on demand, games online e por aí afora. Mais que nunca, e muito menos que no futuro, tudo pode ser compartilhado: som, imagem, dados. Tudo junto e em tempo real. Desde que o caminho percorrido por essas informações não seja mais estreito que seu volume. Afinal, aquele vídeo engraçadíssimo que seu amigo enviou não chega a seu PC como um passe de mágica.
Não nos esqueçamos que velocidade é a razão entre espaço percorrido e tempo. E ninguém quer mais demorar horas para baixar um arquivo. O famoso "para ontem" encontra refúgio nessa tecnologia que se exige ser cada vez mais ágil. A banda larga medida em gigabits por segundo é pressuposto para que empresas e pessoas físicas (você, eu, sua família) comuniquem-se e transformem a informação em moeda de troca.
E, pensando em negócios, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, a telefonia fixa alcançou tal nível de maturação que abriu espaço para forte crescimento da telefonia móvel e também da banda larga. Já o uso disseminado do protocolo IP viabiliza a convergência tecnológica, uma evolução que propicia a oferta de multisserviços sobre uma plataforma única. Assim, a separação entre serviços tem sido progressivamente suprimida, e dados, voz e vídeo podem ser oferecidos num modelo de negócio por "pacotes". E modelo convergente gera consumo de banda. Vale lembrar que tráfego de YouTube não existia há 3 anos.
Dessa forma, é preciso haver sério comprometimento com o que está por trás do bem-estar mais momentâneo que a tecnologia nos traz. A existência de infra-estruturas com capacidade de transmissão de dados surge como grande desafio a operadoras, prestadoras de serviço e fabricantes, além do órgão regulador.
Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2
