Mercado corpora6er nta hoje com cerca de 910 mil cãnexões. A maioria delas ainda é via cabo, embora o IP dedicado esteja ganhando terreno
Cabo, ADSL, WiMAX, satélite ou linhas dedicadas à internet. A tecnologia por trás da conectividade varia, mas a consolidação da banda larga no Brasil é quase realidade. 0 País viu o total de conexões em banda larga crescer 35,9% entre junho de 2006 e o mesmo mês deste ano, quando totalizou 6,55 milhões de conexões. E o número pode chegar a 10 milhões em 2010, de acordo com estimativas do mercado.
Um estudo conduzido pela IDC Brasil revela que o mercado corporativo responde por 13,9% desse total, algo próximo de 910 mil conexões. No entanto, o segmento de empresas registrou alta de 9,5% em relação ao ano anterior, enquanto o mercado residencial evoluiu 8% no mesmo período. 0 motivo, de acordo com Vinicius Caetano, analista de telecomunicações da IDC Brasil, está na maior procura por esse tipo de conexão por parte das empresas de pequeno e médio portes no País.
As conexões ADSL, cable modem, wireless fixo e satélite ainda predominam no mercado de banda larga, representando 86% (veja gráfico ao lado). 0 ADSL e cabo são as tecnologias que mais crescem (6,8%) devido á sua maior capacidade instalada. No entanto, o IP dedicado começa a ganhar espaço no mercado corporativo. Segundo Caetano, da IOC, o serviço ainda se concentra nas grandes empresas (38%), mas a diminuição do preço desse acesso deve levar a conexão também às médias empresas. Ele prevê que o IP dedicado deva se tornar realidade nas empresas de menor porte dentro de mais ou menos dois anos. "As operadoras já estão fazendo um esforço muito forte para migrar usuários do ADSL para o IP dedicado. Ele inclui serviço mais profissional e, portanto, contratos de maior valor", justifica.
Além das 6,55 milhões de conexões no Brasil, a IDC estima que haja atualmente outros 233 mil usuários de internet banda larga por meio da telefonia móvel. 0 Brasil tem três grandes empresas oferecendo essa modalidade de banda larga: Claro, Tim e Vivo.
A Claro começou a oferecer serviços de 3G nas regiões metropolitanas de Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, a partir da segunda quinzena de novembro, também utilizando a frequência de 850 MHz.
Além disso, a Telemig lançou sua rede 3G antes mesmo do leilão de freqüências, previsto para o último trimestre deste ano.
A operadora mineira iniciou, ainda em fase de testes, transmissões de dados e voz baseadas no padrão WCDMA/ HSPA no Pais. A rede 3G da companhia deve começar a operar comercialmente ainda este ano. Paulo Matos, diretor de engenharia da Telemig, explica que a tele utilizava o espectro de 850 MHz para suas ofertas de telefonia móvel TDMA. No entanto, com o lançamento de sua rede GSM em 2006, o tráfego migrou para a faixa de 1.800 MHz, liberando a primeira freqüência para a rede 3G.
WiMAX - basicamente só em São Paulo
Com pouco mais de dois anos de oferta comercial no Brasil, o WiMAX vem sendo uma alternativa de acesso interessante para empresas. De acordo com Sérgio Sá, diretor de marketing da Neovia, uma das primeiras empresas brasileiras a oferecer acesso WiMAX comercialmente, "as empresas encontram no WiMAX uma alternativa viável aos provedores tradicionais, com a possibilidade de terem total independência das redes das concessionárias de telefonia". Na Grande São Paulo, a tecnologia já conta com mais de mil empresas em sua carteira de clientes, além de 35 mil clientes residenciais.
Chegar a esse número é fácil, já que todos eles dizem respeito a clientes da Neovia. A razão é simples: apenas a Neovia e a Embratel possuem licença para atuar sob o espectro de 3,5 GHz, faixa de freqüência para o provimento de WiMAX. Mesmo assim, a Neovia não enfrenta concorrência, pois para a Embratel, o investimento na tecnologia WiMAX ainda não se justifica.
E é justamente nesse interesse das operadoras de telefonia fixa pela freqüência de 3,5 GHz que reside o maior entrave para a evolução do WiMAX no Brasil. Essas empresas, em sua maioria, oferecem serviços de conectivídade ADSL, e, por conta disso, podem deixar o espectro inutilizado caso adquiram o direito a atuar sob ele. Por conta disso, a Anatel, ao detalhar o edital para a concorrência pela faixa de freqüência, definiu que as operadoras não teriam o direito de participar do leilão. As operadoras, por sua vez, sentiram-se lesadas e entraram na Justiça pelo direito de atuar sob esse espectro. 0 resultado é que o leilão, originalmente marcado para setembro de 2006, até agora não aconteceu. E, pelo andar da carruagem, com licitação de 3G e outros tantos assuntos em pauta, deve ficar apenas para 2008.
Se por um lado o atraso do leilão mantém a Neovia como única provedora de acesso via WiMAX em São Paulo, por outro, a companhia tem a evolução de seu negócio engessada. E que a licença para os seus serviços é restrita à Grande São Paulo. "Precisamos atuar nas demais capitais para atender a necessidades de interconexão de nossos clientes", revela Sá, referindo-se a empresas com matriz e filiais distribuídas em território nacional. E isso só acontecerá se a empresa adquirir licença para atuar em nível nacional no próximo leilão.
Complementaridade
Sá explica que, em seu atual estágio, o WiMAX é complementar a outras tecnologias de rede. Por exemplo: uma empresa cuja sede fique em um lugar ainda não atendido pelos provedores de acesso tradicional, pode contratar um link WiMAX para garantir acesso. A partir daí, esta mesma empresa pode construir urna rede interna sem fio, baseada na tecnologia Wi-Fi.
Na verdade, as tecnologias são complementares em razão do alcance", explica. Ele se refere ao raio de alcance de cada uma delas. As antenas Wi-Fi podem distribuir seu sinal em um raio de mais ou menos 100 metros, o que permite a criação de redes mais extensas e, ao mesmo tempo, impede que a tecnologia seja usada para prover acesso. E aí que entra o WiMAX, cujas antenas cobrem raios de 10 km - ótimo para acesso -, mas ainda não atingiram um preço que as tornem passíveis de utilização em redes menores. Por essas e outras, as redes Wi-Fi devem continuar sendo, por alguns anos ainda, a melhor opção para redes corporativas.
De acordo com Sá, o futuro do WiMAX é a formação de redes móveis urbanas. Em outras palavras: as antenas hoje irlstaladas em prédios e condomínios em algum tem, formarão uma extensa rede que levará o sinal da intecrtQI árias áreas urbanas, ou a cidas inteiras. "Estamos nos preparando para atender ao mercado móvel já em 2008. Mas toda a parte de especificações de equipamentos aguarda aprovação da Anatel", afirma o executivo.
0 futuro é promissor e o mercado trabalha com um horizonte de dois anos. Um estudo realizado pelo Instituto Maravedis diz que, em 2010, o Brasil terá cerca de 770 mil assinantes, incluindo aí usuários residenciais e corporativos. 0 mais interessante: a previsão é que 70% deste público seja formado por usuários de serviços móveis, predominantemente residenciais, enquanto o WiMAX fixo, como conhecemos hoje, continuará consolidando sua posição nas grandes corporações e nas pequenas e médias empresas.
Wi-Fi
Do lado do Wi-Fi, à medida que as empresas automatizam cada vez mais suas forcas de vendas e incentivam o trabalho remoto, cresce também a adoção dessa tecnologia. Para dar uma idéia, o mercado brasileiro, que em 2004 ocupava a 33a colocação no ranking mundial de vendas de computadores portáteis, este ano já figura entre as 15 maiores
nações em consumo de laptops. Segundo a IDC, foram comercializados 528,08 mil notebooks no País durante o primeiro semestre de 2007 - em todo o ano passado, esse volume foi de 544Xnil.
"0 que mudou e impulsionou o consumo de notebooks no mercado brasileiro foi, entre outros fatores, a redução no preço desses produtos, tecnicamente mais completos", avalia Reinaldo Sakis, analista sénior da IDC Brasil. "Atualmente, praticamente todos os notebooks comercializados no Brasil contam com funcionalidades Wi-Fi embutidas". Significa dizer, portanto, que o aumento na venda desses computadores, bem como de smartphones e outros equipamentos portáteis com suporte à tecnologia Wi-Fi, reflete diretamente no número de usuários conectados à internet via Wi-Fi", observa o analista.
Outro estudo, o Panorama da Mobilidade
Corporativa no Brasil, realizado pela Associação Brasileira de e-Business com cerca de cem médias e grandes empresas de todo o País, aponta que 13% das companhias já usam smartphones e outros 64% delas utilizam algum tipo de solução remota. Segundo o levantamento, a tendência é que em 2009 os executivos e os profissionais da área de vendas, que utilizam notebooks e handhelds para tirar pedidos, passem a usar os celulares inteligentes. E a conexão, nesses casos, também se dará por Wi-Fi.
0 mercado brasileiro viu crescer também o número de pontos de acesso, também conhecidos como hotspots, disponíveis. Atualmente, 1,9 mil pontos de acesso, de acordo com o site da consultoria JiWire. Só a Vex, principal detentora de hotspots no País, elevou o número de pontos de acesso de cerca de 600, ao fim de 2006, para mais de 1,1 mil, atualmente. Os hotspots são distribuídos por praticamente todas as capitais brasileiras, embora São Paulo e Rio de Janeiro concentrem a maioria deles, com 1.076 e 137 cada, respectivamente. A Telefônica, embora não revele o número de pontos de acesso, também tem forte atuação no mercado de infra-estrutura Wi-Fi, especialmente por ser dona do provedor de acesso à Internet Terra, que oferece pacotes de acesso sem fio.
Marcos Ferraz, gerente de marketing da Vex, uma das principais empresas no segmento Wi-Fi, conta que a companhia experimentou crescimento de cerca de 200% no mercado corporativo no Brasil durante o último ano.
Ofertas de banda larga não faltam no País. "Em termos de conectividade no Brasil, a oferta está bastante diversificada e profissionalizada em todos os setores", observa Elia San Miguel, analista principal de telecomunicações do Gartner para a América Latina. Além das tecnologias em si, ela aponta o chamado Communications as a Service, em que as empresas terceirizam toda a sua área de comunicações, como a grande tendência para os próximos anos. "E uma tendência no médio e curto prazo. Há empresas que partem daqui com grandes contratos de outsourcing de comunicação para uma rede em nível mundial", diz.
