Pela primeira vez, o faturamento combinado das 200 maiores empresas de tecnologia do país ultrapassou a barreira dos 100 bilhões de dólares. A soma em 2007 foi de 129 bilhões de dólares. Esse valor equivale a 7% do PIB brasileiro e é mais que o PIB de países como Marrocos, Nova Zelândia e Equador. Em 2006, as 200 maiores haviam somado 95 bilhões de dólares em vendas. O crescimento nominal é de 36%, mas a maior parte disso deve-se à valorização do real frente ao dólar. Descontando a variação cambial e a inflação de 7.75%, medida pelo IGP-M, chega-se a um crescimento real de 4%. Esse número pode parecer modesto, mas é 63% maior que o registrado em 2006, quando o faturamento combinado subiu 2,5%.
Vários indicadores deixam claro que foi um ano extremamente positivo. A soma dos dez maiores lucros apurados, por exemplo, é 73% maior que a soma dos dez maiores lucros em 2006. Já a soma dos dez maiores prejuízos é 21% menor que a soma dos dez maiores prejuízos em 2006. "Quem teve lucro ganhou mais. E quem teve prejuízo perdeu menos", resume Edson Taniguti, consultor responsável pelas análises financeiras do INFO2OO. Entre as 200 maiores, 136 tiveram crescimento real de vendas,
enquanto 61 viram suas vendas encolher. O número de empresas que cresceram caiu. No levantamento anterior, que se refere aos resultados de 2006, há 166 companhias com crescimento real. Esse fato, junto com a alta nos lucros, mostra que as empresas atravessaram 2007 com os pés no chão, preferindo a rentabilidade ao crescimento a qualquer custo.
MAIS EMPREGOS
Considerando um período mais longo, observa-se que o faturamento das 200 cresceu 33% nos últimos cinco anos, já descontadas a inflação e a variação cambial. Em contrapartida, o número de empregados diretos nas 200 aumentou 103% nesse mesmo período. Em 2007, o incremento foi de 15%, totalizando 492 mil pessoas. Esses números deixam claro que, na média, o faturamento por empregado diminuiu. Mas essa redução não se deve, necessariamente, à queda na produtividade. O fator mais importante é o crescimento das empresas de call center e de contact center, que são as maiores empregadoras de mão-de-obra. Se olharmos para a lista das maiores empregadoras do INFO200, as duas primeiras — Atento e Contax atuam nessa área. Juntas, elas empregam 129 mil pessoas. Isso é mais do que a soma dos empregados das nove empresas seguintes nessa lista.
TELECOM LUCRA
0 setor de comunicação corresponde a 59% do faturamento das 200, somando 76 bilhões de dólares em 2007. Na lista das 200 maiores empresas, as sete primeiras são desse setor.
0 faturamento somado delas foi de 69 bilhões de distoante fica por conta de algumas empresas que atuam em telefonia celular. A Vivo aparece em terceiro lugar na lista dos maiores prejuízos de INFO200, com perdas de 56 milhões de dólares. A TIM vem em quinto lugar, com prejuízo de 40 milhões de dólares.
HARDWARE CRESCE
dólares em 2007. mais que a soma das vendas de todas as outras companhias da lista. Em vendas, uma Oi, a maior corporação no ranking, equivale a mais de quatro IBM, a maior fora da área de comunicação.
Além de grande, comunicação é também um dos setores mais lucrativos. Sua margem do EBITDA sobre vendas foi de 21,6% em 2007, perdendo apenas para a do setor de serviços, que registrou 22,4%. A margem dos outros setores não passa de 5%. O lucro líquido das empresas de comunicação listadas no INFO200 somou 3,9 bilhões de dólares. Isso equivale a 69% do lucro apurado por todas as empresas da lista que informaram seus resultados.
A nota
0 setor de hardware é o segundo maior no INFO200 em vendas e o maior em número de empresas. Os 53 fabricantes na lista respondem por 22% das vendas das 200 maiores. Esse não é um dos setores mais lucrativos. A soma dos lucros das empresas que informaram seus resultados corresponde a apenas 4,7% do total das 200. A margem média do EBITDA sobre vendas foi, entre elas, de apenas 1,75%. É a mais baixa entre os sete setores que compõem o INFO200. Mas foi um setor que experimentou crescimento acelerado em 2007. A Motorola, maior empresa nessa área, teve aumento real de 123% nas vendas. A acirrada concorrência entre os fabricantes encarregou-se de achatar as margens, beneficiando o consumidor, que comprou como nunca. Segundo dados da Abinee, cerca de 10 milhões de PCs foram vendidos em 2007, 21% mais que no ano anterior. Empresas que aproveitaram esse bom momento, como Positivo e Semp Toshiba destaque de INFO200 no setor de hardware fecharam o ano com ótimos resultados.
O setor de serviços de TI sobressai pela alta lucratividade em 2007. As empresas dessa área que informaram seus números tiveram, juntas, resultado positivo de 1.8 bilhão de dólares, o equivalente a 19,2% do lucro das 200 maiores. Já o setor de serviços de software mantém-se em segundo lugar em número de empresas (51) e em terceiro em faturamento combinado, que passa de 10 bilhões de dólares. Aqui. ao lado de gigantes como a IBM e a estatal SERPRO, aparece um grande número de organizações de menor porte. Algumas das companhias dessa área prestam serviços também a clientes em outros países. É o caso da Atos Origin, campeã do INFO200 em serviços de software. Sergio Bartoletti, presidente da empresa, diz que é difícil competir com os indianos, que têm custos mais baixos. "Mas o brasileiro é mais flexível e tem a vantagem de estar num fuso horário mais próximo do americano", diz ele.
INTERNET PATINA
0 setor de internet foi o único a fechar 2007 com prejuízo. Juntas, as empresas dessa área que informaram seus resultados perderam 25 milhões de dólares. A empresa com maior prejuízo foi o portal Terra, que registrou 103 milhões de dólares negativos. Curiosamente, a Telefônica, dona do Terra, teve o maior lucro deste INFO2OO — 1,3 bilhão de dólares.
Os solavancos que o mercado acionário sofreu em 2007 levaram a uma redução no número de aberturas de capital. Em 2006, cinco empresas na lista das 200 haviam estreado na Bovespa. Em 2007, somente a Bematech e a GVT Holding fizeram ofertas iniciais de ações. As duas tiveram desempenhos bastante diferentes. No final de julho, as ações da Bematech valiam 70% menos que no dia de seu lançamento. Já as da GVT, mesmo com a Bovespa num momento ruim, mantinham cotação 66% superior à atingida no dia da oferta inicial. Ponto para a operadora.
