Novas redes corporativas exigem maior planejamento e capacitarão dentro das empresas, e os administradores têm que nadar para não morrer na praia
A tecnologia da informação (TI) básica nas empresas começa a dar corpo a uma nova rede corporativa, capaz de carregar voz, ser móvel e, daqui a pouco, transportar vídeo. As redes locais (Local Area Network - LAN) não se resumem mais a uma série de computadores interligados entre si que executam os aplicativos de recursos humanos, contábil e operacionais das pequenas, médias e grandes empresas. Agora, são redes ligadas a outras LANs, de clientes e fornecedores, e há ainda as redes corporativas de longa distância WAN (Wide Area Network). Com o desenvolvimento da internet e a expansão do mercado móvel, as redes corporativas podem também ser móveis [Wireless Local Area Network - WLAN).
A primeira vista, tanto avanço serviu para facilitar a vida de todas as empresas. Mas, antes de trocar ou adquirir uma nova rede, todo usuário corporativo tem que estar atentos às seguintes questões: qual é o objetivo com a aquisição ou evolução da nova rede? E o futuro? 0 que a evolução representa em termos de adição de valor para o negócio? A empresa tem que planejar. Se não há um administrador capacitado dentro da empresa, uma consultoria ou integradora podem resolver as principais dúvidas quanto ao equipamento, dimensões, potencial etc. Montar rede é fácil e barato: um switch de 24 portas custa, em média, US$ 500, e conecta uma empresa de pequeno porte. 0 pulo do gato está no gerenciamento dessa rede.
A evolução, nos últimos três anos, mudou todo o conceito de TI. "E um salto quântico, como sair da válvula para o transistor", diz o gerente de desenvolvimento de negócios da integradora Getronics, Alessio Marasca. 0 gerente afirma que, há três anos, era inconcebível, por exemplo, ligar o telefone à rede da empresa e falar por meio dos computadores. As redes corporativas eram, no máximo, interconectadas dentro das próprias empresas: alguns computadores, impressoras e um servidor. Quando a rede internet começou a avançar comercialmente, as redes de telecomunicações, baseadas na plataforma TDM, também avançaram. Atualmente, as conexões de redes Ethernet para ambientes intranet e extranet são, cada vez mais, baseadas em tecnologia IP. 0 maior desafio das empresas quando se trata de evoluir as redes corporativas, segundo Marasca, é prepará-las para o dinamismo tecnológico para não correr o risco prematuro de depreciação do investimento: "Nós temos o conceito de feature head, que é chegar para o cliente e explicar que negócio dele é esse e a rede tem que ser assim", diz. Além disso, conforme as redes passam a operar em plataformas IP e interagir umas com as outras, é possível agregar mais e mais serviços. Então, como tarifar os diferentes serviços nas empresas? Por exemplo, o uso de vídeo (teleconferência), de voz (em ambientes IP), a geração de relatórios de controle. A segurança das redes também é outro ponto fundamental. Por fim, de acordo com o tamanho e as operações da empresa, pode haver demanda por armazenagem de dados (storage). Ou seja, aquele ambiente familiar, de computadores ligados a impressoras e todos integrados ao mainframe acabou. Hoje, o servidor da empresa suporta dados, voz, vídeo e tem que administrar desde c acesso dos usuários até a segurança do core e das pontas da rede. Ainda que seja uma pequena pode ser em outra cidade e até país) ainda há um enorme vácuo de conhecimento que vai da segurança de rede aos melhores elementos para melhorar a produtividade da empresa, ou do seu core business. Ao entender isso, as empresas estarão aptas para lidar com essas novas redes sem ser fisgadas pelo arpão tecnológico que insiste em evoluir.
ou média empresa, qualquer ambiente que esteja conectado ao mundo externo via internet tem, necessariamente, que ser administrado de forma segura.
A medida que avança a tecnologia, até o usuário residencial, basicamente leigo nos conhecimentos de TI, consegue montar uma rede privada em casa, com conexões fixas e wireless. Atualmente, as empresas têm que ter ao menos um técnico especializado que conheça os fundamentos da segurança da informação, roteadores, switches, formação de redes privativas virtuais (VPNs), conexão com redes WLAN e WAN e toda uma vasta gama de serviços e soluções que, diariamente, são lançadas no mercado.
A evolução das redes corporativas não foi acompanhada pelo aumento do conhecimento em TI, principalmente dentro das PMEs. Os funcionários, em geral, são conhecedores superficiais de informática e equipamentos e softwares requerem muito mais do que isso. 0 técnico de uma empresa pequena, atualmente, é requisitado para consertar cabos, conexões, resolver problemas de configuração, e-mails e computadores travados.
As empresas, quando instalam novas máquinas e equipamentos, têm pouco ou nenhum tempo para preparar suas equipes. E, assim, a bota de neve aumenta.
0 resultado, em geral, é que as redes são sub-aproveitadas em vários sentidos, desde o uso de sua capacidade física, de armazenagem de dados, à otimização de recursos que as tornem mais produtivas. E isso é tão real que, mesmo após quase duas décadas de existência, muitas redes estão no patamar básico de TI.
Conectividade
Com o aumento do parque de redes corporativas, as operadoras têm que melhorar as ofertas de transmissão de dados para interligar as redes LAN e WAN das diversas unidades da matriz ou escritório, seja por meio de serviços Frame Relay (físico) ou pela constituição de redes VPN (em geral, baseadas no protocolo Multi Protocol Label Switching - MPLS). Essas ofertas de conexão estão presentes nos portfolios de todas as operadoras e auxiliam os gestores ou técnicos de rede nas construções e conexões de redes únicas. Uma pequena ou média empresa tem à sua disposição todo o espectro que suporta as transações de suas redes: linhas privadas, IPs dedicados (para aplicações de intranet e extranet), acesso remoto. A Telemar, por exemplo, oferece formação de rede por MetroEthernet, que possibilita a comunicação de redes LAN, em nível metropolitano, ponto-a-ponto ou ponto-multi-ponto, o que é uma demanda freqüente das companhias.
A Eletropaulo Telecom é uma carrier de carrier que oferece as tecnologias MetroEthernet e SDH para o transporte de dados das operadoras. Com a expansão das larguras de banda, as operadoras precisam dar vazão à transmissão de dados. A empresa lançou a rede MetroEthernet neste ano justamente devido a essa expansão. A rede SDH oferece capacidades que vão de 2 Mbps a 2,5 Gbps, ao passo que a MetroEthernet chega até a 16 Gbps. 0 objetivo é suprir capacidade para as operadoras, que trafegam os dados LAN-to-LAN cada vez mais, afirma o diretor comercial da Eletropaulo Telecom, Gilberto Cardoso.
Em suma, as redes evoluíram e a mão-de-obra, predominantemente não-especializada, não. As demandas por LANs que se interligam a outras LANs só tendem a aumentar. As operadoras têm todos os pacotes conforme o tamanho da empresa e a largura de seu bolso. Mas, da porta de saída da LAN até sua conexão com a LAN do vizinho (que pode ser em outra cidade e até país) ainda há um enorme vácuo de conhecimento que vai da segurança de rede aos melhores elementos para melhorar a produtividade da empresa, ou do seu core business. Ao entender isso, as empresas estarão aptas para lidar com essas novas redes sem ser fisgadas pelo arpão tecnológico que insiste em evoluir.