Por Valor Economico
Os provedores brasileiros de serviços de internet podem esperar maior competição depois que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou o uso das linhas de energia para fornecer serviços de banda larga.
Um número de grandes companhias de energia elétrica já montou subsidiárias de telecomunicações para examinar esse promissor novo mercado, embora nenhuma delas esteja certa de qual é o potencial verdadeiro.
"A grande vantagem que as companhias elétricas têm é a infraestrutura... Ela pode ser usada para disseminar a banda larga para áreas não cobertas", diz Pedro Jatobá, presidente da Associação Brasileira das Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas de Telecomunicações (Aptel).
Batizada de Power Line Communications (PLC), a tecnologia que usa as redes de energia elétrica para transmitir voz e dados é empregada em 40 países, embora ainda não seja usada em larga escala em lugar nenhum.
A falta de infraestrutura de telefonia e TV a cabo em partes das cidades brasileiras e nas regiões rurais, no entanto, significa que a tecnologia poderia ser usada de maneira vantajosa no país.
"A rede de TV a cabo cobre apenas 15% da população, enquanto a malha elétrica cobre 98% das residências. Há uma óbvia oportunidade", diz Jatobá.
É esse acesso às residências brasileiras por meio de uma infraestrutura já existente o que torna a tecnologia atrativa.
"O ´backhaul´ e a ´última milha´ são as partes mais caras da infraestrutura de internet e, nesse caso, eles já existem", afirma Júlio Puschel, analista de telecom e tecnologia da informação (TI) da consultoria Yankee Group. O trecho que vai do núcleo da rede até um ponto de presença distante é o backhaul. A última milha é o trecho final de uma conexão.
Ainda não está claro que tipo de ameaça os novos serviços vão oferecer às operadoras de internet em banda larga já existentes, como a Net e a Telefônica.
"Não temos números sobre o uso da rede elétrica para a internet no Brasil. Sem isso, não sabemos qual é a ameaça para as operadoras de telecomunicações... Não sabemos, por exemplo, se as unidades de telecom das companhias elétricas terão de pagar royalties para usar as linhas", diz Alex Pardellas, analista de telecomunicações da corretora Banif lnvest.
De fato, o uso das linhas elétricas para banda larga ainda precisa ser aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Isso pode levar um certo tempo já que as concessões de energia elétrica não prevêem o uso da rede para outros fins.
As companhias elétricas, no entanto, vão avançar de qualquer jeito, diz Jatobá, da Aptel.
A AES Eletropaulo criou a Eletropaulo Telecom, em São Paulo, enquanto a Copei estabeleceu a Copei Telecom, no Paraná, e a Cemig formou a Infovias, em Goiás.
A Copei Telecom diz estar pronta para fornecer acesso à internet com velocidade real de 10 Mbps (megabits por segundo).
A Infovias já está pronta para servir à base de 6,5 milhões de usuários da Cemig, de acordo com o diretor da Infovias, Ivan Ferreira. A AES Eletropaulo também está testando os sistemas em São Paulo. Entretanto, o plano da companhia é menos ambicioso: a meta é fornecer serviços de acesso a outras operadoras.