Depois de dois anos de testes e investimentos de R$ 20 milhões, a AES Eletropaulo Telecom anunciou o lançamento de sua rede com BPL – broadband powerline,tecnologia que permite o tráfego de dados sobre a rede elétrica.
"Estamos fazendo uma sinergia dos dois mundos", diz Teresa Vernaglia, diretora-geral da empresa.
Isso porque a companhia é proprietária de uma rede de mais de 2000 quilômetros de fibra óptica e também faz parte do grupo AES, cuja distribuidora AES Eletropaulo fornece energia elétrica a 5,7 milhões de clientes em 24 municípios da região metropolitana de São Paulo. "Vamos aproveitar essa capilaridade para oferecer novos serviços", diz.
Segundo a diretora, o objetivo não é atender o usuário final, mas alugar a rede a operadoras, exatamente como é feito hoje com sua rede óptica. "O modelo não muda. Nosso negócio é ser uma carrier de carrier", diz.
Pesam a favor da tecnologia BPL benefícios como a rápida instalação, conveniência e portabilidade. "Não é necessário quebrar paredes, nem agendar visitas ao condomínio", diz. E uma vez "iluminado" um edifício, o serviço estará disponível em todas as tomadas de uma residência.
Além de ser uma alternativa às empresas que querem entrar em uma determinada região já atendida por outro provedor, o BPL também poderá ser usado pelas operadoras locais que enfrentam limitações técnicas para a instalação da banda larga, como é o caso da elevada distância da central de comutação até o assinante. De acordo com Teresa, o custo é competitivo em relação às tecnologias de acesso convencionais.
Por enquanto, o BPL está ativado em 300 edifícios (15 mil apartamentos) nos bairros de Moema, Pinheiros e Cerqueira Cesar, na capital paulista. Foram realizados testes de desempenho em 20 edifícios (150 clientes) durante um ano. "Nesse período não foi notado nenhum problema ou interferência com outros equipamentos elétricos", diz. 0 serviço pode ser oferecido de duas formas: um gateway instalado no poste junto ao transformador de energia na rua faz a conversão do sinal óptico que vem da rede de fibra e o injeta na rede de baixa tensão; ou nos casos em que a fibra chega até o edifício, o equipamento é instalado junto ao medidor de energia na entrada do condomínio. Quando o equipamento está no poste, até dois edifícios podem ser alimentados de uma vez.
Tendo "iluminado" o edifício, basta instalar um modem na tomada para ter acesso ao serviço. A velocidade de conexão é de até 80 Mbit/s bidirecional, compartilhada pelos usuários do edifício. Os equipamentos utilizados para o teste são da Current, dos EUA, que possui representante no país.
A Eletropaulo Telecom está apresentando o BPL às operadoras e a previsão é que no início de 2009 sejam assinados os primeiros contratos. A tecnologia aguarda também a regulamentação da Anatel, que fez recentemente uma consulta pública para regulamentar o uso de BPL no Brasil.
Com um crescimento médio de 48% ao ano e faturamento de R$ 65,3 milhões em 2007, a Eletropaulo Telecom tem hoje uma carteira de cerca de 80 clientes, a grande maioria operadoras fixas e móveis. "Atuamos em uma área que concentra mais de 700 mil empresas e um PIB de R$ 376 bilhões", diz Teresa. Um dos motivos para o crescimento da empresa é enxergar e tirar proveito de novas oportunidades de negócios. Por exemplo, o Metro Ethernet, lançado em 2006, representa hoje mais de 10% da receita da empresa. Agora, a grande aposta é o BPL.