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Executiva fala das oportunidades em telecom
 

Por Você S/A

A paulista Teresa Vernaglia, de 43 anos, diretora-geral da AES Eletropaulo Telecom, prestadora de serviços de Telecomunicações para as operadoras de São Paulo, está vendo suas responsabilidades dobrarem de tamanho. A engenheira elétrica, que fez parte da implantação da Nextel no Brasil e colocou de pé o negócio de telecom do grupo de energia AES, está assumindo também as operações de telecomunicações do Rio de Janeiro, a AES Com, um negócio de 80 milhões de reais.

Com a junção das duas operações, Teresa passa a administrar uma receita de 165 milhões de reais — pequena, dentro do tamanho da AES no país, de 1,7 bilhão de reais —, mas o negócio mais lucrativo do grupo, com 60% de margem operacional no ano passado. Ela é também uma das poucas mulheres no setor, ainda majoritariamente masculino — as empresas que ela administra têm apenas 22% de mulheres em seu quadro. Isso não a incomoda, já que ela vê a situação se reproduzir desde os tempos de faculdade. Era assim quando Teresa era uma das duas alunas do curso de engenharia elétrica em Sorocaba, interior de São Paulo, ou no começo da carreira, quando foi enviada ao Japão pela NEC, japonesa de software, por causa de um projeto de digitalização da Telesp. “Lá eu realmente era a única mulher e fui vista de maneira diferente. Aqui no Brasil nunca aconteceu”, diz. Entre um voo da ponte aérea e outro — ela passa três dias por semana no Rio de Janeiro —, Teresa pratica corrida (ela participou da maratona de Nova York no ano passado) e busca o pequeno Gabriel, seu filho de 3 anos, na escola. Aqui, a executiva conta os planos da empresa, o perfil do profissional que faz falta em telecom e as áreas mais quentes para quem quer atuar nesse mercado.

O MERCADO DE TELECOM
O segmento de telecomunicações oferece carreira mesmo para quem não vem da área de tecnologia. “É um mercado efervescente porque muda a todo instante. Agora, estamos testando o LTE (banda larga por fios da rede elétrica que a AES Eletropaulo Telecom vai fornecer para as operadoras de telefonia) e precisamos de profi ssionais que estejam antenados com novas tecnologias. Em breve ter internet de 10 megabytes em casa será pouco para todas as aplicações possíveis”, diz. “Quem souber ‘pescar’ tendências e transformálas em serviços ou produtos lucrativos vai ser disputado pelas áreas de desenvolvimento das empresas.” Trabalhar com convergência de mídias — algo muito falado, mas ainda pouco praticado no país — vai ser uma possibilidade também para quem está de olho na área de telecom. “Desenvolver aplicativos para a rede IP, serviços para quem tem TV digital. Essa deve ser uma das áreas mais quentes para se fazer carreira daqui em diante”, diz.

DIFERENCIAL FEMININO
Quando assumiu a diretoria da empresa que seria a Nextel, logo na chegada da companhia ao Brasil, Teresa teve de montar uma equipe de vendas partindo do zero, um dos momentos mais difíceis da carreira. “Para qualquer gestor, é uma questão essencial saber quem é a pessoa certa para o lugar que está vago. Por isso é que preciso estar sempre ligada no humor e no ritmo em que o trabalho e as relações estão acontecendo dentro da organização. Nesse ponto, ser mulher ajuda. Temos certa capacidade de ler o que está no ar, o que não foi dito.”

TÉCNICOS SOFISTICADOS
Os profissionais com perfil técnico, mas com boa formação e algum conhecimento de administração, são os que a empresa e o mercado de telecomunicações irão procurar no curto e médio prazo. “Antes você chamava um técnico sem muita qualificação para puxar o cabo da TV. Hoje ele precisa aprender a conectar equipamentos bem sofisticados e caros, e muitos que antes faziam o serviço agora têm dificuldade de realizá-lo. Novas e sofisticadas tecnologias exigem que os profissionais se sofistiquem.” O fato é que as operadoras querem vender mais serviços diferenciados e precisam de um profissional que faça isso na casa dos clientes com conhecimento e comportamento adequado, o que é raro hoje. “Ele não é necessariamente um engenheiro, mas vai precisar chegar perto disso. A boa formação técnica é muito valorizada.”

GESTOR VERSÁTIL
Vale o mesmo para quem está um pouco acima no organograma corporativo, pois as empresas de telecomunicações precisam de profissional flexível, com perfil mais generalista. “Tem que entender de marketing, pois ele vai seguir e identificar as tendências, e às vezes estamos falando de tendências diferentes dentro da mesma cidade”, diz a executiva. Precisa entender de fluxo de caixa, já que o gestor de telecomunicações não pode se dar ao luxo de ficar à margem das finanças da empresa. Este ano a AES Eletropaulo Telecom contratou mais de 30 pessoas. Não há um número de contratações definido (juntas, as empresas de telecom do Rio e de São Paulo têm 381 funcionários), mas devem crescer as áreas de desenvolvimento de novos negócios e de novas tecnologias.



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