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GVT decide ampliar investimentos para R$ 1,5 bilhão
 

Por Brasil Econômico

 

"As janelas de oportunidades que temos no mercado não vão durar para sempre; precisamos mudar o ritmo de negócios, afirma Amos Genish, presidente. P34

Recursos serão aplicados este ano para assegurar expansão geográfica, TV paga e produtos em parceria corri a Vivendi

Fabiana Monte

fmonte@brasileconomico.com.br

A consolidação do setor de telecomunicações brasileiro, oficializada pela compra da Vivo pela Telefônica e pela entrada da Portugal Telecom na Oi, produz os primeiros efeitos práticos. A GVT acaba de aumentar a previsão de investimentos, passando de R$ 1,1 bilhão estimado no início do ano para R$ 1,5 bilhão. O valor supera o dobro do aplicado em 2009, de R$ 660 milhões.

No entanto, segundo o presidente da GVT, Amos Genish, a decisão foi tomada há cerca de 15 dias, antes portanto do anúncio dos negócios da última semana. O que moveu a empresa foram os sinais de consolidação que o mercado dava há tempos, afirma Genish. "As janelas de oportunidade não vão durar para sempre; precisamos mudar o ritmo dos negócios", diz.

A chance número um está no mercado de televisão por assinatura, em que a GVT entrará em junho do próximo ano, com pacotes que reúnem banda larga, telefonia fixa e TV paga. Parte dos R$ 400 milhões que engordaram o orçamento será destinada a esta estratégia. "Com essas transformações no mercado e as oportunidades que temos, decidimos não aguardar mais a aprovação do Projeto de Lei ne 29 [atual PLC 116/2010]. O mercado de TV paga vai dobrar nos próximos quatro anos, era um duopólio, agora vai mudar", diz Genish. O PLC 116/2010, em tramitação no Senado, modifica a legislação, permitindo a entrada das operadoras de telecomunicações no mercado de TV a cabo.

Para superar o problema de legislação, a operadora usará uma solução híbrida: um equipamento capaz de receber sinal de televisão via satélite e via internet. O sinal de televisão será transmitido via satélite e a rede de internet será usada para interatividade.

"Precisamos aguardar o lançamento do novo satélite, o que vai ocorrer entre junho e agosto do próximo ano. Se a lei for aprovada antes, podemos começar", diz Genish. Neste caso, o conteúdo de TV seria oferecido por meio da internet.

Vivendi
A plataforma de internet também será usada para colocar em prática os benefícios comerciais prometidos durante o processo de compra da operadora pela Vivendi, em novembro passado. Além de outros negócios em telecomunicações, o grupo francês reúne empresas de conteúdo, como a Activision Blizzard, produtora de jogos de videogames, o Canal+, de TV paga, e a Universal Music Group, na área de música. A partir de outubro, os assinantes de banda larga da GVT terão acesso a conteúdos da Universal Music, incluindo música, áudio, vídeo e shows, que poderão ser assistidos ao vivo.

O próximo passo será a oferta de jogos, em parceria com a Activision Blizzard. "Com esses produtos, vamos criar relevância para usuários de banda larga de alta velocidade, como 20 e 40 megabits por segundo, que não entenderam os benefícios de ter tanta velocidade. O mercado ainda não tem conteúdo para tudo isso", diz Genish.

Expansão
Em paralelo, a GVT vai trabalhar na expansão de sua operação para consumidores finais. A empresa quer entrar em 14 novas cidades até dezembro. No ano passado foram cinco. As mais recentes são Sorocaba e Jundiaí, no interior paulista, onde a empresa desembarcou no último fim de semana. "Chegaremos a Niterói e à cidade do Rio de Janeiro no último trimestre do ano. Nos próximos meses, iremos a mais cidades do interior de São Paulo. À capital chegaremos em 2011".

Como o senhor analisa o novo cenário de telecomunicações

Essas mudanças vão consolidar o mercado e fortalecer essas empresas, que terão mais convergência para oferecer. Mas não acho que o consumidor vai comprar algo por causa do tamanho da empresa. Vai escolher o melhor serviço. Por outro lado, entendemos que as janelas de oportunidade que temos no mercado não vão durar para sempre; precisamos mudar o ritmo dos negócios. Por isso vamos investir muito mais que no ano passado.

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O consumidor não se decide sobre um pacote de telefonia fixa por causa da oferta do celular integrado. Ele decide em separado. Há muita convergência entre TV paga e telefonia fixa, mas não com celular. Tendo uma oportunidade boa, vamos na direção do celular, mas neste momento não tomamos uma decisão sobre isso e acho que não vai ocorrer nos próximos 12 a 18 meses. Nosso foco é a expansão de telefonia fixa e TV paga.

Tim ainda tem espaço para se expandir

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De um lado, Telefônica/Vivo, Oi e Claro /Embratel. Do outro, Tim e GVT. Esta é a nova configuração do tabuleiro de xadrez em que se transformou o mercado de telecomunicações brasileiro. Com dinheiro em caixa, a GVT já se prepara para a esse novo quadro. O desafio da Tim agora é a ausência de uma operação fixa que lhe dê capilaridade. A compra da Intelig, concluída em dezembro, trouxe à operadora italiana capacidade de rede, mas não garantiu sua chegada à casa dos clientes. Por isso, a Tim vem realizando parcerias com empresas elétricas, como forma de fazer chegar às residências os combos de banda larga e telefonia. Após fechar com a AES Eletropaulo, a operadora está negociando com mais sete empresas, afirma uma fonte da empresa.

"A Tim está bem estruturada para competir, por deter integração fixo-móvel, ter comprado a rede da Intelig e poder oferecer serviços convergentes", diz o gerente de inteligência de mercado para América Latina da consultoria Frost & Sullivan, José Roberto Mavignier.

O diretor de consultoria da Promon Logicalis, Luis Minoru Shibata, concorda e diz que a falta de uma operação fixa pode ser uma vantagem para a Tim. Segundo Shibata, as operadoras fixas têm receio de perder as receitas convencionais e resistem à mudança de portfólio. A Tim, portanto, não teria esse tipo de dilema.

Além disso, afirma Shibata, à primeira vista pode parecer que Oi, Telefônica e Claro estão à frente, mas é preciso lembrar que as três têm o desafio de integrar seus negócios, o que exige tempo e recursos. "Todas vão sair nessa corrida ao mesmo tempo. A Oi tem crescido menos que as outras, embora hoje possua grau de integração mais alto", diz.

Para ele, o mercado vai passar por um grande crescimento, com a expansão da internet para objetos, como medição remota de consumo de água. E isso abrirá espaço para mais consolidação. "Este mercado pode ser maior ou tão grande quanto o de hoje. Conforme evoluir, vai despertar o interesse de outras empresas, que não são necessariamente de telecomumunicações". F.M.


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