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Infraestrutura do setor continua em expansão
 

Por Jornal do Commercio - Rio de Janeiro - RJ

 

A rede de telefones fixos no Brasil ainda é mais abrangente em sua cobertura que a de telefones moveis, embora o número de aparelhos celulares seja 310% superior ao de fixos. Os últimos dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), referentes a março, mostram que há no País 179,1 milhões de linhas de celulares contra 43,6 milhões de fixos.

Adespeito da grande diferença, o telefone fixo chega a todos os 5,564 mil municípios da federação, enquanto a rede de celulares chega a 802 cidades a menos.

A pouca demanda de municípios pequenos atrelada ao baixo poder de consumo de seus habitantes não justifica o pesado investimento das operadoras para a instalação de rede de fibra ótica. As empresas acabam, portanto, concentrando seus negócios onde há maior demanda com poder aquisitivo, como na região Sudeste, que representa 47% do volume de linhas ativas no Brasil.

Este cenário, no entanto, está mudando. Em dezembro de 2007, a Anatel leiloou o direito de as empresas operarem a rede de terceira geração de telefonia móvel, o chamado 3G, e condicionou esse direito ao dever de levar rede de celular aos grotões do Brasil. De acordo com a determinação da Anatel, em 30 de abril todos os municípios brasileiros deverão ter acesso à rede de celular.

Segundo dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Economico e Social, de 2010 a 2013 serão investidos R$ 67 bilhões em infraestrutura de telecomunicações.

Desde a privatização do sistema Telebrás, ocorrida em julho de 1998, a telefonia fixa avançou pouco. Em 1998, havia 22,1 milhões linhas de telefone fixo no Brasil, número que se expandiu em 109% até agora. Já a telefonia celular , antes inexpressiva, cresceu muito no período – saiu de 7,3 milhões em 1998 para 179 milhões, aumento de 2.352 %.

Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, afirma que tecnologia o Brasil tem disponível e o que falta para se chegar aos confins do país é investimento e incentivo estatal.

Na telefonia móvel, a tecnologia de Voz por IP (VoIp) promete baixar os custos do usuário com tarifas, além de dar maior utilização à rede do operador. Na prática, a diferença do VoIp para a rede convencional de telefone fixo é que nele é possível passar em um único circuito várias linhas telefônicas, além da rede de internet banda larga e da televisão a cabo. Dessa maneira, a tendência é que as empresas de telecomunicações cada vez mais ofereçam todos os produtos em um pacote só, os chamados combos.

O VoIp já é muito usado no mundo corporativo. Empresas que possuem um grande número de chamadas entre filias utilizam a tecnologia que, de acordo com o engenheiro do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) Rinaldo Duarte Teixeira de Carvalho, permite economia de até 40% na conta. O especialista explica que a economia ocorre porque a voz trafega por pacotes de dados 100% digitais, que têm um custo inferior ao da linha telefônica convencional.

As maiores operadoras ainda não oferecem amplamente o serviço de VoIp para o consumidor comum, mas para o mercado corporativo há uma gama de empresas que vai além das quatro grandes. Como elas herdaram as redes das antigas estatais, seria necessário fazer investimento muito grande na substituição dos cabos por novos. Segundo Eduardo Tude, da consultoria Teleco, levaria cerca de 10 anos para converter 100% das centrais brasileiras.

Nesse nicho de mercado há empresas grandes, como a AES Eletropaulo Telecom e AES COM, que somente instalam a rede e as alugam para as operadoras de telefonia.

Rogério Carvalho Antunes, gerente de Desenvolvimento e Expansão de Negócios da AES Eletropaulo Telecom, destaca a convergência de serviços que ocorre na rede Voip. De acordo com ele, no futuro, internet, televisão e telefone estarão completamente integrados, independentemente da plataforma.

A telefonia fixa diante de um mundo novoDANIEL CÚRIO Enquanto a telefonia móvel é vista como a tecnologia do futuro e a internet banda larga tende a se propagar, o destino da telefonia fixa ainda é incerto.

Parte dos especialistas diz acreditar que o segmento já está obsoleto e se aproxima do fim, porém outros defendem que fixos e móveis vão coexistir por muitos anos.

Para o professor da ESPM Antônio Carlos Morim, os investimentos em telefonia fixa serão reduzidos drasticamente nos próximos anos. "O fixo não está morto", destaca, "pois é muito barato e uma ótima solução para áreas mais afastadas do País que muitas vezes nem dispõem de luz elétrica." Ele diz que uma das estratégias possíveis para dar sobrevida ao segmento tradicional da telefonia é acabar com as assinaturas. Segundo o professor, esta cobrança foi criada há algumas décadas para cobrir os investimentos feitos na instalação das redes. Como muitos anos já se passaram e as redes já estão pagas, a assinatura não cumpre mais seu papel e apenas encarece o serviço.

No futuro próximo, diz Morim, a telefonia fixa nos grandes centros para clientes pessoa física não vai mais valer a pena, em virtude da popularização e da comodidade dos celulares. "A cobertura móvel está cada dia melhor", frisa.

Já o ex-presidente da Anatel Elifas Gurgel afirma que o segmento de telefonia fixa está surpreendendo.

Segundo ele, alguns diziam que o serviço morreria, mas o número de linhas habilitadas vem mostrando que o mercado está vigoroso e ainda tem potencial.

"Na verdade, as tecnologias móvel e fixa se complementam e nenhuma vai deixar de existir. Os fixos são muito mais confiáveis, exceto quando acontecem desastres naturais que comprometem a rede." O ex-presidente da Anatel comenta que uma das principais vantagens do segmento de fixos é que ele possui alguns serviços agregados, como a internet banda larga, que utiliza a mesma rede. Esses serviços, destaca Gurgel, aumentam o interesse pelo fixo.

Diferentemente de alguns analistas, Elifas Gurgel não acredita que os investimentos na telefonia tradicional devem ser reduzidos nos próximos anos. Ele ressalta que existe uma demanda permanente pela modernização da rede, com a instalação de fibra ótica em algumas áreas. A fibra, inclusive, já foi adotada nos grandes centros do País. O grande gargalo do segmento, destaca, está na chegada da fibra ótica à casa do cliente e, para isto, os investimentos devem prosseguir.



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