Por Jornal do Commercio - Rio de Janeiro
Atentas à demanda global por desenvolvimento sustentável, diversas companhias Brasil afora vêm se pautando pela meta de se desenvolver segundo manda a cartilha da responsabilidade social. Um dos pilares deste modelo de crescimento é a construção de fortes laços com a comunidade. Foi pensando nisso que a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) a criou o Projeto Conviver. O programa tem o objetivo de oferecer meios e informações para que a população carente consiga reduzir o desperdício de energia e adequar o valor da conta de eletricidade à sua capacidade de pagamento. Para tanto, a empresa substitui produtos de alto consumo por outros mais eficientes. Desde 2007, quando a iniciativa foi lançada, a Cemig já investiu mais de R$ 60 milhões, doando cerca de 1,8 milhão de lâmpadas, 25 mil geladeiras e 18 mil chuveiros.
"O Conviver tem alto impacto na capacidade financeira da família. O uso eficiente de energia leva à redução do valor da conta de luz. O dinheiro economizado pode então, ser empregado em outras necessidades", explica o gestor do projeto, Rodolfo de Souza Monteiro. Segundo Monteiro, apenas com a instalação do chuveiro com recuperador de calor, a economia alcançada pode chegar a 40% do consumo mensal de cada moradia. Já as lâmpadas fluorescentes, doadas a todas as famílias visitadas pelos agentes do projeto, consomem quatro vezes menos energia do que as incandescentes, normalmente utilizadas em residências.
Em 2010, o Conviver, que antes beneficiava 98 comunidades de baixa renda na região metropolitana de Belo Horizonte, foi expandido para outros 74 municípios do interior de Minas Gerais. "Quisemos dar prioridade às cidades que apresentam baixo índice de Desenvolvimento Humano (IDH)", explica o diretor.
FIBRIA. Outra empresa que tem mostrado grande preocupação em manter um bom relacionamento com a comunidade é a Fibria, a maior produtora de papel e celulose do país. Para incentivar o desenvolvimento econômico, social e ambiental nas regiões onde atua, a produtora de celulose iniciou, em 2004, o programa Poupança Florestal, por meio do qual cerca de mil proprietários rurais da região de Pelotas e Bagé (RS) participam da cadeia produtiva da companhia como fornecedores de eucalipto. A empresa já investiu mais de R$ 15 milhões para viabilizar e manter o programa.
Por meio de um contrato de 14 anos, prazo que pode ser prorrogado, os produtores se comprometem a fornecer eucalipto exclusivamente para a Fibria. "Quando o acordo é firmado o eles já têm uma noção de quanto vão lucrar com o empreendimento. Cada hectare de eucalipto é vendido a cerca de R$ 6 mil", explica o gerente de sustentabilidade da Fibria, Fausto Camargo. Segundo o gerente, os participantes recebem incentivos para o plantio desde o primeiro ano do programa. "Nós financiamos toda a produção, fornecemos até as mudas de eucalipto", comentou.
O Poupança Florestal, salienta Camargo, também traz grande benefícios para a companhia. "Não é vantajoso para a Fibria deter grandes áreas de produção, uma vez que isso demandaria um investimento pesado e constante na aquisição de terrenos. Sendo assim, é mais econômico para a empresa tercerizar parte de sua cadeia produtiva", explica.
Tanto a Votorantim Celulose e Papel (VCP) quanto a Aracruz Celulose mantinham projetos independentes de fomento florestal antes de realizarem a fusão que deu origem à Fibria em 2009.0 Poupança Florestal surgiu porque a nova empresa percebeu a necessidade de colocar suas iniciativas dentro de um mesmo molde. Recentemente, a companhia consolidou o programa em São Paulo. A meta é que, até 2011, produtores rurais da Bahia, Espirito Santo e Minas Gerais também sejam contemplados. A expectativa é que a matériaprima fornecida pelos agricultores vinculados ao Poupança Florestal represente 20% do volume total produzido pela empresa.
AES ELETROPAULO TELECOM. Também visando contribuir para o desenvolvimento econômico e social das comunidades onde ama, a AES Brasil apoia os projetos sociais das Casas de Cultura e Cidadania. O grupo investe R$ 18 milhões por ano no projeto que, desde 2008, já alcançou cerca de 8 mil pessoas. A AES Eletropauio Telecom, empresa do grupo AES Brasil, participa da ação fornecendo a tecnologia digital aos beneficiados pelo projeto.
"Nossa principal meta é desenvolver o protagonismo dos milhares de crianças, adolescentes e adultos", diz a gerente de comunicação externa e responsabilidade social da AES Eletropauio Telecom, Luciana Alvarez.
O projeto é aberto à comunidade que vive no entorno das Casas de Cultura e Cidadania, sendo que pessoas com idade de 6 anos a 17 anos devem estar matriculadas na escola para serem atendidas. Ao todo, 194 funcionários amam diretamente no projeto, desenvolvendo estudos afim de detectar as aptidões produtivas de cada região atendida. Em seguida, eles elaboram cursos de capacitação específicos para cada local. As ações voltadas à geração de renda podem incentivar o empreendedorismo individual ou a formação de grupos produtivos.
Já na Benatech, empresa de tecnologia e informática, há 11 anos parte da linha de produção vem do trabalho de detentas da penitenciária feminina de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. O projeto oferece às mulheres envolvidas a oportunidade de produzir renda e diminuir o tempo de reclusão. "Nossa intenção, quando criamos o projeto, era nos empenhar em uma causa social que se alinhasse aos valores da empresa, permitindo promover inserção social", afirma o gerente de Recursos Humanos da Bematech, Nilson Vieira do Nascimento.