O cenário atual a bastante favorável para as empresas que atuam como fornecedoras de infra-estrutura para outras operadoras de telecomunicações (perfil carrier-to-carrier). 0 excesso de capacidade de banda que antes existia nas grandes operadoras de telefonia fixa comutada esta sendo consumido rapidamente.
Nos últimos anos cresceu muito no mercado brasileiro o numero de pessoas dispostos a contratar serviços de acesso a internet por banda larga. Agora entrou em cena a terceira geração (3G) da telefonia movel celular, trazendo também serviços que consomem muita banda. A 3G traz ainda um efeito colateral importante, que a aumentar os períodos de pico de consumo.
Não é só. No ponto de vista dos fornecedores independentes de infra-estrutura, ha hoje motivações das grandes operadoras, fixa e móvel, para contratá-los. E que existe, entre elas, escassez de recursos financeiros, pois os escopos dos projetos agora sac) muito mais amplos. Sem falar que não ha muito tempo para implantar projetos de infra-estrutura próprios.
O problema a que as opções para contratar infra-estrutura no mercado brasileiro hoje está muito limitadas. Muitas empresas antes criadas para explorar esta atividade no Pais acabaram sendo compradas pelas grandes operadoras, uma vez que alcançaram valores de mercado muito baixos.
Um caso típico foi a Pegasus, adquirida pela Telemar, que virou Oi e agora forma a Br junto com a Brasil Telecom. Esta ultima, por sua vez, comprou a MetroRed. A NetStream foi comprada pela Telmex, atual dona da Embratel. Outra que também deixou de existir foi a Geodex, adquirida pela GVT.
O resultado e que o numero de empresas no mercado brasileiro que hoje vivem apenas do fornecimento de infra-estrutura para operadoras de telecomunicações conta-se nos dedos de uma mão e inclui, em maioria, empresas ligadas a concessionárias de serviços de energia elétrica, como a Eletropaulo (em Sao Paulo).
Ha também empresas com perfil hibrido de operadora de operadora e provedora de serviços. Uma e a Diveo, que opera redes de comunicação sem fio. Outra e a Global Crossing, operadora de redes de cabos submarinos, que, por meio da compra da Impsat, passou a ter também ramificações terrestres em toda a região latino-americana.
Preparativos para aumento da demanda
Fornecedora de infra-estrutura para todas operadoras de telecomunicações na região metropolitana do Rio de Janeiro, a AES Com apresentou no Segundo trimestre de 2008 uma receita líquida de R$ 36,5 milhões. 0 crescimento de 22% na comparação com o mesmo período do ano anterior foi, porém, bem inferior à média de 41% dos últimos cinco anos.
Mas é um recuo que tem sinais de ser apenas episódico. A preocupação da empresa ultimamente foi mais a de se preparar para forte aumento de demanda que deve surgir com o amadurecimento dos projetos de terceira geração de telefonia móvel celular, com as quais está para fechar importantes novos contratos.
Atualmente, a rede da AES Com tem capacidade instalada de aproximadamente 100 Gbps. Desse total, cerca de 75% estão ocupados. A empresa tem redes SDH e Metro Ethernet. Hoje, 90% da receita provém da rede SDH.
Mas dentro de cinco anos, o faturamento da rede Metro Ethernet deve se igualar aquele do SDH, uma vez que tem um potencial de mercado muito maior. Um dos objetivos da companhia em 2008 foi exatamente migrar o máximo possível dos antigos clientes de rede SDH para a Metro Ethernet.
Os clientes da nova rede Metro Ethernet são basicamente os da rede SDH (Synchronous Digital Hie-rarchy),os provedores de voz sobre IP, que não eram atendidos pela infra-estrutura anterior, por falta de flexibilidade da tecnologia para absorver conexões IP, algo que o padrão Ethernet resolve.
Autorizada a prestar serviços de redes com valor agregado (categoria SCM) na região metropolitana do Rio de Janeiro, a AES Com tem hoje aproximadamente 60 clientes. Além do Rio de Janeiro,a rede da AES Com está presente nas cidades de Duque de Caxias
Acesso sem fio na última milha
A migração de seu backfone baseado na tecnologia ATM para a plataforma IP/MPLS foi um dos projetos importantes que a Diveo implementou no Brasil ao longo de 2008. Só nos dez primeiros meses do ano, o projeto absorveu investimentos de US$ 8 milhões. A meta é finalizar a migração até o final de 2009.
O grande diferencial da operadora continua sendo, porém, seus acessos por rádio na última milha. No total, a Diveo possui sistemas de transmissão em cerca de 1.400 prédios sob contrato, aproximadamente 800 em São Paulo.
Eletropaulo
Dona de uma rede de aproximadamente 2.000 quilômetros de fibra óptica na região metropolitana de São Paulo, a Eletropaulo Telecom agora oferece também infra-Estrutura para acesso à internet por meio da rede elétrica. O projeto utiliza a tecnologia Broadband Powerline, ou Power Line Communication e consumiu investimentos de R$20 milhões.
A proposta da empresa não é, porém, prestar serviço de internet a clientes. É,isto sim, alugar a rede para outras operadoras de telecomunicações uma vez que é esse o modelo de negócios da Eletropaulo Telecom, como explica Teresa Vernaglia,diretora-geral da empresa.
No início, a nova infra-estrutura estará em 300 edifícios, ou 15.000 locais nas regiões de Moema,Pinheiros e Cerqueira César,na capital paulista. A oferta será feita de maneira complementar à rede de fibra óptica da empresa. O aumento da escala do BPL depende de sua aceitação pelo mercado e também de regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações,segundo Teresa.