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Que tal conectar-se pela tomada
 

Por Jornal da Tarde

 
Banda larga

Internet via rede elétrica sai da fase de testes e aumenta opções para o acesso à web

Agora é uma questão de tempo para a internet via rede elétrica chegar à sua tomada. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou na terça-feira (25) as regras para que as empresas de energia comecem a oferecer internet baseada na tecnologia BPL (Broadband Over Powerlines), que permite tráfego de dados pelas linhas elétricas.

O sistema já vem sendo testado no Brasil há alguns anos. Em São Paulo, cercade 150pessoasjácontam com este tipo de banda larga fornecida pela Eletropaulo Telecom. "É mais uma concorrência que pode haver no mercado", disse o engenheiro paulistano Sakae Icyukawa, que recebeu um modempouco maior do que uma carregador de celular e usa o serviço piloto desde o ano passado.

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) regulamentou a tecnologia em abril, após uma consulta pública e uma série detestes. "Nossa preocupação foi estabelecer as condições para as tecnologias conviveremharmonicamente", disse Maximiliano Martínhão, gerente-geralde certificação e engenharia do espectro da Anatel.

Segundo ele, os testes mostraram que a tecnologia é segura em relação a seu maior problema: a possibilidade de causar interfe-rências na radiofusão.

Agora começa a fase de licitações para ver quem é que vai abocanhar o mercado. As empresas de energia elétrica têm duas opções: ou alugam a infraestrutura da rede para as telecoms oferecerem a conexão, ou elas mesmas criam subsidiárias para prestar o serviço.

As agências estão otimistas. A

Aneel diz que o aluguel da rede pode baratear a conta de luz, e a Anatel afirma que a tecnologia contribuirá para a inclusão digital afinal, a rede elétrica chega a 98% das residências no País.

Uma coisa, no entanto, é certa: este novo tipo de conexão com a internet fará novas empresas entrar no mercado de bandalarga. As que estão mais próximas de oferecer o serviço são derivadas ou subsidiárias das empresas elétricas.

Martinhão, da Anatel, aponta algumas empresas que já testaram a conexão, como a Celg (GO), aCopel(PR),aCemar (MA) eaEletropaulo Telecom (SP).

Em São Paulo

No estado, a AES Telecom usa a infraestrutura de fibra óptica, que já é utilizada na cidade para transmissão de dados em grandes empresas, para conectar os usuários à internet.

A fibra óptica vai até os condomínios, onde há um aparelho que converte o sinal para ser transferido pela rede elétrica. De lá, os da

dos são distribuídos até as casas dos usuários, que só precisam de um pequeno modem para acessar a internet pela tomada.

"A tecnologia é bem robustapara ruídos elétricos", disse Nicolas Maheroudis, responsável pela área na AES Telecom, em entrevista ao Ele, porém, pondera que alguns equipamentos podem, sim, prejudicar a conexão. O "cobaia" Icyukawa diz que, no começo, o serviço falhou. Hoje, não mais. "Quando senti firmeza, cancelei o Speedy", disse.

Interfere no rádio

Uma das principais críticas ao BPL é a de que a transmissão de dados prejudica a radiofusão. "A própria tomada vira uma antena que gera interferência nos aparelhos" , disse ao Ronald Siqueira Barbosa, engenheiro da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert).

Inclusão digital: 98% dos brasileiros já têm acesso à rede elétrica

Segundo ele, a entidade realizou testes que comprovaram o problema. Barbosa afirma que serão prejudicados radioamadores, rádios de ondas curtas e médias e a comunicação das Forças Armadas. A conexão ultrarrápida, de 80 Mbps, pode atrapalharaté atelevisão. "EmSão Paulo játemosmuito ruído elétrico. Podemos não conseguir mais ouvir rádio", disse. A entidade reivindica participar dos testes realizados pela Anatel.::

Lentidão põe em xeque acesso à web via 3G

probabilidade de ter alguma interferência é muito grande", explica Hélio Salles, diretor de mercado de telecomunicações do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). O problema é exatamente esse.

Assistir a vídeos, baixar arquivos com centenas de megabytes, fazer ligação de voz já são hábitos comuns (e pesados). Como não é possível garantir nem uma velocidade de 1 megabit por segundo, nos casos mais otimistas, a im

pressão que o 3G passa é a de uma tecnologia nova que não dá conta do que as pessoas precisam.

"Até pela forma que foi divulgado, omodem3Ggerou uma expectativa alta no consumidor, que esperava uma banda larga como a

de casa, eaconexão não suporta", diz Vinícius Caetano, analista do IDC. E Júlio Püschel, do YankeeGroup, conclui: "Entendo o lado das operadoras, mas elas têm de se preparar para não deixar uma percepção ruim do serviço".


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