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Tim planeja levar usuário de lan-house para o celular
 

Por Brasil Econômico

 

Empresa quer popularizar acesso à internet móvel e promover parcerias com distribuidoras de energia elétrica

A estratégia da Tim para este semestre está baseada em três pontos: incentivo à migração da telefonia fixa para a móvel; popularização do acesso à internet pelo celular na classes C e D; e avanço dos pacotes convergentes de telefonia e banda larga nos mercados residencial e corporativo, por meio da Intelig. O presidente da empresa, Luca Luciani, diz que nesta segunda metade do ano a empresa vai reforçar sua atuação para incentivar o crescimento do uso de serviços de dados, como internet móvel. O foco está nos consumidores das classes C e D, que navegam na web a partir de lan-houses. "A internet no Brasil tem uma grande oportunidade de expansão; este será um dos nossos focos. Temos de aproveitar essa oportunidade, embora voz seja a maior parte da nossa receita", afirma. No segundo trimestre, as receitas dos chamados serviços de valor agregado, que incluem a web móvel, representaram 12% do faturamento total da Tim.

Para Luciani, essa participação crescerá gradualmente, mas levará tempo para atingir o patamar de 20%. Por isso, apesar da atenção ao tráfego de dados, o executivo defende a importância do serviço de voz. "Proteger a qualidade da voz é prioridade. Temos de estar atentos a esse mercado, que tem chance de dobrar o número de minutos falados nos próximos meses, e acompanhar o crescimento do mercado de dados", diz.

Investimentos

A Tim prevê investir R$ 1,5 bilhão nos próximos seis meses. O valor, segundo o executivo, será dividido em três partes e aplicado na expansão da cobertura da rede de terceira geração de 144 para 300 cidades; na ampliação da capacidade da rede de voz e no fortalecimento da infraestrutura de transmissão. No primeiro semestre, o investimento totalizou cerca de R$ 1 bilhão. No ano passado inteiro somou R$ 2,1 bilhões.

Luca Luciani garantiu que os planos da operadora não sofreram alterações, apesar da recente consolidação do setor que deixou a Tim como a única empresa móvel do Brasil sem uma rede fixa com capilaridade. "Nossa estratégia é de ataque", diz. O trunfo da Tim, argumenta o executivo, é a capacidade de transmissão da rede da Intelig. Por isso, estão em negociação parcerias com sete companhias de energia elétrica, nos moldes da mantida com AES Eletropaulo Telecom, que permite a oferta de internet pela rede elétrica.

É pela rede da Intelig que passam também as ligações de longa distância, apontadas pelo executivo como elemento fundamental para conquistar clientes de telefonia fixa. No segundo trimestre, a receita de longa distância da Tim cresceu 30,5% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 591 milhões. "Vamos forçar a migração das ligações da rede fixa para a móvel e estimular o serviço de longa distância ao fortalecer a possibilidade de os clientes pré-pagos fazerem chamadas interurbanas", diz Luciani.

De acordo com ele, a Tim é a primeira colocada em volume de ligações de longa distância nacional no segundo trimestre, com 26,8% do mercado. Os principais impulsionadores desse desempenho são os planos Liberty e Infinity, que permitem a clientes pré-pagos e pós-pagos realizarem por tarifa idêntica ligações locais e de longa distância, desde que dentro da rede da operadora.

Tarifa por uso de rede encarece ligação

Percentual pago a operadoras móveis representa até 80% da conta

O presidente da Tim, Luca Luciani, estima que o valor da tarifa de uso da rede móvel (VU- M) deverá ter queda real de 20% em julho do próximo ano. Essa taxa é paga à operadora móvel toda vez que uma chamada utiliza sua rede, seja a origem da ligação um telefone fixo ou celular. A tarifa é apontada como um dos principais fatores a encarecer a conta de telefone. "Representa mais ou menos 80% do preço que você paga para fazer uma ligação de um fixo para um móvel e mesmo de móvel para móvel", afirma o diretor de regulamentação da Oi, Paulo Mattos.

A dificuldade para reduzir o preço é que essa tarifa tornouse uma fonte de receita das operadoras móveis, argumentam as empresas de telefonia fixa. O valor é negociado livremente entre as operadoras, mas a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promete implementar um modelo para calcular o valor da tarifa. Segundo a Anatel, esse modelo será determinado por uma consultoria, que ainda não foi contratada.E não há prazo para a licitação ocorrer.

"Há algum tempo fala-se em uma redução nesta tarifa porque ela é mais elevada do que em outros países. Acho que isso deve acontecer no ano que vem", diz Beatriz Battelli, analista da Brascan Corretora, acrescentando que Vivo e Tim seriam as mais afetadas, pois têm maior dependência dessa receita.

O presidente da Tim concorda com a necessidade de diminuir o valor da tarifa, mas defende que outros aspectos também devem ser considerados, entre eles mudanças na regulamentação que permitam o compartilhamento de redes e a redução do preço do aluguel de infraestrutura. O executivo ainda destaca a necessidade de revisão da carga tributária, especificamente quanto ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e ao Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), que as operadoras recolhem na ativação de cada cliente e em função do número de assinantes. "Esses são pontos que vamos colocar na mesa do órgão regulador. Se eles mudarem, o consumo médio por usuário vai crescer", diz Luciani.


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