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Cenário: Internet por rede elétrica ainda patina no Brasil
 

Por Portal Broadcast- Agência Estado


A internet banda larga via rede elétrica pode até estimular a concorrência entre as operadoras de telecomunicação, mas a regulamentação do Power Line Communications (PLC), nome da tecnologia de transmissão de dados pela malha elétrica, ainda inibe a massificação do serviço. Apesar de estudarem o tema há um bom tempo, as elétricas demonstram pouco interesse em disponibilizar suas redes para a exploração desse mercado. Prova disso é que o País conta com apenas um projeto em operação comercial em três bairros da cidade de São Paulo, em uma parceria entre a Intelig e a AES Eletropaulo Telecom, da americana AES.


Pelas regras da Aneel, as elétricas devem criar subsidiárias de telecomunicação para explorar o mercado e devem promover oferta pública para o uso de suas redes, sem ter a garantia de que terão capacidade disponível para a exploração de seus próprios serviços. Além disso, 90% da receita auferida com o aluguel da rede devem ser destinadas para modicidade tarifária. O setor reclama que, na prática, as regras desestimulam as distribuidoras de energia a disponibilizarem as suas redes às empresas de telecomunicações.


O setor elétrico, hoje, está prestes a passar por uma revolução com a introdução das redes inteligentes (Smart Grid). Essa tecnologia permitirá que as distribuidoras de energia executem aplicativos como telemedição, corte e religamento à distância, controle das perdas técnicas e comerciais, monitoramento remoto das redes, entre outros, promovendo redução de custos e melhora na qualidade do serviço aos consumidores. Por conta disso, o presidente da Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), Pedro Jatobá, avalia que as concessionárias podem optar por resguardar para a si a capacidade das redes, não disponibilizando para terceiros a infraestrutura para o serviço de PLC.


Para o consumidor final, a banda larga via rede elétrica apresenta uma série de vantagens. O PLC oferece a flexibilidade ao usuário de conectar o modem em qualquer tomada de uma casa, a simetria de banda (velocidade idêntica de upload e download) e velocidade de até 15 Mbps de transferência de dados. A simetria, por exemplo, facilita aplicações como videoconferência, compartilhamento de arquivos, telemedicina, entre outros.


Para as empresas de telecomunicações, por sua vez, o PLC surge como uma alternativa atrativa para ingressar em regiões dominadas pelas operadoras de telefonia fixa. Jatobá, da Aptel, explica que diferentemente do setor elétrico, a propriedade da rede é usada pelas teles como uma barreira à entrada de concorrentes em suas áreas de concessão. Com o advento do PLC, cuja tecnologia já foi homologada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), essas empresas ganham uma nova opção para acessar o consumidor final, por meio da malha de distribuição existente.


Foi justamente esse cenário que motivou a Intelig a constituir a parceria com a
AES Eletropaulo Telecom. Hoje, o carro-chefe da companhia, recentemente adquirida pela TIM, é o serviço de ligação a longa distância, mas os planos são para avançar nos mercados residenciais de telefonia fixa e de banda larga, explica o diretor de Vendas Consumer e Business da empresa, Rivo Soares. Sem citar nomes, o executivo afirma que o atual modelo de aluguel das redes das operadoras de telecom não apresenta custos competitivos para a empresa, e que o PLC, por sua vez, permite à Intelig suprir a deficiência na chamada "última milha", que é a conexão com o consumidor final.


Hoje, a Intelig fornece o serviço de PLC nos bairros de Moema, Pinheiros e Jardins, na capital paulista. O pacote oferece internet de 10 Mbps de velocidade, telefone fixo sem assinatura mensal, ligações gratuitas para celulares TIM, equipamentos (como modem) sem custo, entre outros benefícios, por R$ 74,90. Sem revelar números, Soares afirma que as vendas não só ficaram acima do esperado, como o call center também registra a demanda de moradores de outras áreas da cidade. Em função disso, a Intelig discute com a AES Eletropaulo Telecom a expansão do serviço para outras regiões da cidade. A empresa também negocia uma parceria semelhante com a estatal paranaense Copel.


Além da questão regulatória, outro fator que estaria inibindo a expansão do PLC é o custo do investimento na infraestrutura. Para manter a qualidade do sinal de transmissão de dados pela rede elétrica, é preciso realizar investimentos em modernização da malha, que, em muitos casos, é antiga. Por conta disso, a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), por exemplo, tem desenvolvido apenas projetos pilotos com PLC. Inclusive, a empresa irá inaugurar, no próximo dia 28, um projeto piloto no município Candiota, que deverá contar, inclusive, com a presença do presidente mundial da Panasonic - a empresa japonesa é uma das fabricantes do modem para o PLC.


Foi considerando essas questões que a Intelig optou pelo chamado "PLC indoor", que consiste na transmissão de dados utilizando apenas a rede elétrica instalada dentro da casa do cliente. Neste caso, o sinal de internet chega à residência do usuário por meio de cabos de fibra óptica. Por sua vez, o chamado "PLC outdoor", que é a transmissão do sinal pela malha elétrica, tende a demorar mais para crescer, em razão das questões regulatórias e do custo do investimento.


Em ambos os modelos de negócio, um entrave a ser vencido é o alto preço dos equipamentos, que são importados. Adicionalmente, o valor final do produto acaba sendo onerado pela alta carga tributária e pelo custo de certificação imposto pela Anatel. Também o fato de não existir um mercado configurado no Brasil faz o custo subir. A expectativa do setor é que a partir do momento em que isso se concretizar, haja uma expressiva redução no valor dos aparelhos.


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