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O problema está no meio
 

Por Teletime - Nacional

EXPLOSAO DA DEMANDA FAZ COM QUE 0 BACKHAUL SE TORNE 0 PONTO CRITICO DAS REDES. ALTERNATIVAS TECNOLOGICAS PASSAM POR RADIOS DIGITAIS, REDES METROETHERNET E FIBRA. ESTRATÉGIAS DAS EMPRESAS ENVOLVEM COMPARTILHAMENTO.

Não é novidade para ninguem que o lançamento das redes de terceira geração no final de 2007 gerou uma corrida pela ampliacao da capacidade de rede das operadoras celulares. Corrida essa que continua ate hoje, sem que, contudo, seja possivel afirmar que as redes estejam preparadas para o volume de trafego esperado para os proximos anos. Ao a´ contrario, as operadoras pararam de incentivar as vendas da Internet movel e agora concentram suas ofertas no acesso a Internet a partir dos smartphones, em uma clara demonstracao de que nao estao seguras para oferecer servico de Internet banda larga.

A mudanca da estrategia revela uma deficiencia enorme na rede das operadoras. De modo geral, as redes de transporte intermediarias - ou o backhaul - sempre foram ocupadas pelo trafego de voz e pelo baixo volume de dados gerado pelas mensagens SMS e MMS, mas se viram do dia para a noite entupidas por trafego de video, de redes sociais, e intensa navegacao web, sem falar no acesso peer-to-peer. Neste momento, as operadoras moveis iniciaram a contratacao de mais capacidade,E, no backhaul, procuraram se unir a outras operadoras para a construcao conjunta de rede e ate, como no caso   3 da TIM, compraram ativos.

"A demanda e tao grande que a capacidade que voce ;.. coloca se esgota no momento em que voce ativa", afirma Gil Odebrecht, diretor de redes da Ericsson. Esta em curso uma grande mudanca na tecnologia hoje usada nos backhauls. Paulatinamente saem de cena radios de tecnologia SDH para a chegada de radios digitais, que podem chegar a 1,6 Gbps por enlace. Existe tambem a tecnologia MetroEthernet, usada tipicamente pelas carriers de carriers, que permitem aumento na demanda corn mais capacidade. E, ´w claro, em casos de extrema necessidade, e possível recorrer a fibra optica, solucao que oferece a maior capacidade, mas pode nao ser a melhor opcao em termos de custo e time to market. Estima-se que a fibra optica esteja presente em 10% no backhaul das teles, e no ano que vem tera essa presenca ampliada em 5%.

"Fibra ou radio? Pesa contra a adocao em larga escala da fibra optica o alto custo da tecnologia e da sua implantação, que exige obras civis pelas ruas das cidades. Alem disso, os radios digitais tern evoluido muito rapidamente e hoje existem radios full IP e hibridos de alta capacidade. De acordo com Paulo Pol6nio, gerente de mobile backhaul para America Latina da Nokia-Siemens, em um site novo as operadoras podem colocar urn radio digital com apenas a parte de microondas externa. Depois, corn o aumento do trafego naquele site, e possivel acrescentar a parte interna, tambem chamada de elemento concentrador. E, quando aquele site nth) e mais um site edge (ou seja, de borda da rede) e concentra trafego de outros sites, a operadora podera fazer o investimento em fibra. "A questao do time to market aliada a evolucao dos radios digitais vai garantir que o atendimento de uma parcela significativa seja feita via radio, pela economia de investimento", analisa Polemic).

Na opiniao da fabricante chinesa Huawei, em tuned() do legado tecnologico as operadoras tern optado pela utilizacao dos radios hibridos, embora os radios full IP sejam capazes de emular o trafego TDM (tipico das redes 2G convencionais). De acordo corn Pedro Galhano, gerente de produtos para radio e microondas, "ja existe fibra nas grandes metrOpoles e nos grandes centros. Mas a demanda maior e pelo radio hibrido, por causa do legado de voz", diz ele. Segundo o executivo, a demanda por radio. IP devera crescer corn a chegada das redes LTE.

0 use de radio digitais no backhaul das teles, contudo, nao e uma unanimidade no mercado. A Global Crossing, por exemplo, defende a utilizacao do radio para acelerar a implantacao, mas no futuro, esses links deverao ser substituidos pela fibra optica. "No Brasil recebemos demanda grande de pedidos de companhia celulares para interligacao de poi´tos e nao necessariamente radio e a tecnologia principal. Muito disso e fibra", afirma Carlos Canale, vice-presidente de servicos de infraestrutura para Global Crossing na America Latina. Alem disso, a fibra per-mite que a operadora contrate mais capacidade assim que perceber a necessidade.

Reciclagem

As empresas de telecomunicacoes do grupo AES – AES Com Rio e AES Eletropaulo Telecom - que atuam i como carrier de carrier, tambem tern observado aumento na demanda por capacidade. De acordo corn Emerson Hioki, diretor de operacoes das empresas de i telecomunicacoes do Grupo AES, uma das vantagens das rede MetroEthernet e que o aumento de capacidade não tem uma relação direta com o aumento de 1 Gusto. Ou seja, se uma operadora móvel precisar dobrar a capacidade em determinado site, ela nao vai c dobrar seu Gusto. 0 executivo acredita que em areas E metropolitanas o melhor negocio para as operadoras e contratar backhaul em redes MetroEthernet. Os radios, segundo ele, podem ser usados em areas menos densas, em cidades do interior, por exemplo. Vale destacar que esses radios digitais precisam de visada direta.

Gil Odebrecht, da Ericsson, pondera que os radios de tecnologia SDH deverao existir ainda por muito tempo. Isso porque no mesmo site em que a operadora tern 3G, ela tern 2G tambem. Dessa forma, a operadora mantem a solucao SDH, mas acrescenta alguma outra (MetroEthernet ou radios digitais) para a demanda de dados. No futuro, conforme as operadoras aumentarem as capacidades no backhaul, esses radios SDH serao realocados em cidades menores ou em cidades onde a cobertura e nova, resultado das metas de cobertura do 3G, por exemplo.

De modo geral, a arquitetura da rede das teles moveis tern fibra nos grandes centros e nas concentradoras e radio dal para diante. A explosao de trafego, entretanto, tern gerado uma mudanca no perfil dessas redes. "Cada vez mais as empresas colocam nas pontas equipamentos que antes eram considerados de core", analisa Luiz Villela, diretor de negocios e marketing da Nec Brasil. "Ninguem joga nada fora. Os radios El vao sendo empurrados cada vez mais para a ponta", completa.

Urn outro fenomeno que tern ocorrido em relacao as redes de backhaul e que as operadoras comecam a construir redes preprias. E, mais do que isso, dividem asses investimentos corn as concorrentes. De acordo com Odebrecht, da Ericsson, ha cerca de tres anos as operadoras moveis tinham redes de transmissao
muito pequenas. "Das localidades ate os grandes centros, as operadoras comecaram a construir redes.
Todas as operadoras moveis estao fazendo redes ligando os principais centros urbanos", afirma ele.

Com relação ao compartilhamento de infraestrutura, o exemplo classico e o da parceria entre Claro, Vivo e Embratel em um anel optico de 4,5 mil km que interliga os tees esta dos do Sul do Pais.

0 diretor da Ericsson garante que os projetos conjuntos se espalham rapidamente por todo o Pais. "As operadoras tern feito varios projetos conjuntos. Elas perceberam que nesse contexto elas nao sao competidoras", afirma Odebrecht.

Para Luiz Villela, diretor de negecios e marketing da Nec Brasil, as metas de cobertura da Anatel geraram uma grande demanda por novos equipamentos, que tambem sao capazes de trafegar dados, mesmo que a operadora so disponibilize o servico de voz. Disponibilizar o servico de dados, neste caso, depende do planejamento de cada operadora. Mas uma coisa e certa: "Se a operadora disponibilizar a infraestrutura, ela fomenta a comunicacao de dados", afirma. "Ate outro dia, quem puxava a comunicacao de dados era o segmento corporativo. Passado algum tempo, a minha filha e que gera essa demanda", diverte-se o executivo.

HELTON POSSETI

Cobertura sem fio

TIM contratou da Huawei 10 mil radios digitais com capacidade de 600 Mbps cada um. "Estes enlaces sera() instalados em areas de maior concentracao populational e demanda por dados, como em capitais e outras grandes cidades", afirma Marco Di Constanzo, diretor de rede da TIM. 0 upgrade, ressalta o executivo, tambem represents a migracao do TDM, tecnologia antiga de telefonia, para o IY.

0 investimento faz parte do planejamento da TIM de investir R$´ 3,8 bilhoes em infraestrutura de voz e dados ate 2011. Os investimentos comecaram no ano passado e terao continuidade nos proximos dois anos. Cerca de 70% deste aporte sera direcionado a ampliagao da capacidade de trafego de voz (2G) e de dados 2,5G (EDGE), enquanto os 30% restantes serao alocados para o aumento e melhoria da cobertura e qualidade da banda larga morel (3G).

Com a aquisição da Intelig, a TIM herda um backbone 14,5 mil km. Deste total, 1 mil km de fibra estdo no backhaul. "Nossa missao agora e integrar essa infraestrutura legada a nossa rede metropolitans", afirma Di Constanzo.



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